Teus maravilhosos feitos são manchetes; eu poderia escrever um livro cheio de detalhes da Tua grandeza. Salmo 145:6, The Message
Mudei-me para a Flórida enquanto minha nova igreja estava envolvida no preparo da lista atualizada de membros. Como eu já havia passado por esse processo antes, apresentei-me como voluntária para ajudar. Meu trabalho era simples: telefonar para cada membro e marcar um horário para a fotografia. No primeiro telefonema, a irmã A ficou alegre por ter sido lembrada. Assim foi pelos quatro telefonemas seguintes. Então, liguei para a irmã Q. Identifiquei-me. “Quem?” perguntou a voz, intrigada. Repeti minha apresentação.
“Quem?” O tom de sua voz sugeria que minha resposta não ajudava a esclarecer o problema. Por fim, eu me identifiquei como filha de um casal que havia sido membro daquela igreja por longo tempo. A irmã Q continuava sem pistas. Tentei de novo: “Sou aquela da
cadeira de rodas.”
E ela se lembrou imediatamente.
Percebi que, embora me houvesse identificado como usuária de cadeira de rodas, não me definiria como deficiente. Escolheria minha designação e a embelezaria contando minhas bênçãos – aquelas que eram exclusivamente minhas. As bênçãos da cadeira de rodas, como as chamo.
A versão de Eugene Peterson para o texto de hoje diz tudo. Eu poderia escrever um livro quando penso nas bênçãos que Deus me dá. Por exemplo, agora tenho acesso fácil a serviços e prédios. Voando para toda parte, vejo que meu agente de viagens pede automaticamente uma cadeira de rodas para mim. No aeroporto, um funcionário prestativo recebe meus documentos e me empurra diretamente para o portão de embarque. E não para por aí. Num sábado, nossa igreja estava superlotada. Não havia lugares disponíveis, mas eu tinha um: minha cadeira de rodas. E ainda ficou melhor. Minha pequena sobrinha, sem encontrar um lugar, ficou em pé ao meu lado. Seus eloquentes olhos negros dispararam uma mensagem: Posso me sentar no seu colo? Fiquei encantada.
Quando minha mão direita ficou fraca e trêmula demais para escrever, tive que aprender a usar a esquerda. De algum modo, ouvi a voz de Deus a partir das páginas da Bíblia. “Todavia, estou sempre contigo, Tu me seguras pela minha mão direita” (Salmo 73:23).
Sim, sou aquela da cadeira de rodas – aquela movida por Seu poderoso braço.
Glenda-Mae Greene
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