sábado, 31 de março de 2012
O plano de Deus
Ana respondeu: Não, senhor meu! Eu sou
mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida forte;
porém venho derramando
a minha alma perante o Senhor. [...] Então, lhe respondeu Eli:
Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que Lhe
fizeste.
1 Samuel 1:15, 17
Fui abençoada por receber uma bolsa de estudos para a universidade. Minha mãe e eu nos sentimos muito gratas. Minha experiência me faz lembrar de Ana. Casada com Elcana, Ana não tinha filhos porque era estéril. Penina tinha filhos, e, por ocasião do sacrifício anual, Elcana dava a ela e aos filhos porções para o sacrifício, mas a Ana dava porção dupla. Contudo, Ana vivia amargurada. Orando ao Senhor, chorou em angústia e fez um voto: se Deus lhe desse um filho, ela o daria ao Senhor por todos os dias da sua vida.
O sacerdote se preocupou ao ver como Ana orava, e achou que ela estivesse embriagada. Mas Deus lhe ouviu as orações e respondeu ao seu pedido. Alguns anos mais tarde, ela cumpriu seu voto, levando o filho, Samuel, ao Senhor.
Essa história da Bíblia é uma inspiração para mim. Ela me diz que devemos ser persistentes. Tudo o que pedimos deve ser para a glória de Deus. Por exemplo, ao estudar na Universidade da África Oriental, sempre foi meu sincero desejo que Deus me ajudasse a pagar as mensalidades. Quero concluir meu curso e encontrar modos e meios de ajudar os necessitados, especialmente os órfãos. E Ele fez isso por mim, através do programa das bolsas de estudo.
Que nós, como cristãs, imitemos Ana em seu modo de orar. Se fazemos votos a Deus através da oração, e Ele nos atende, devemos cumprir nosso voto como Ana o cumpriu. Certamente, assim como fez por Ana, Deus também nos abençoará.
Em Jeremias 29:11, a Bíblia diz que o Senhor tem planos bons para cada uma de nós, planos para o bem e não para o mal, a fim de dar-nos um futuro e uma esperança. Nossa jornada pode não ser sempre suave, mas Deus tem um plano bom para nós. Que experiência maravilhosa e alegre é esperar bênçãos do Senhor pela fé e vivê-las! Nosso Senhor é fiel para com Suas amadas filhas.
Agnes Chepkorir Rotich
O Presente e a Exigência
Então o senhor chamou o servo e disse: “Servo mau, cancelei toda a
sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido
misericórdia do seu conservo como eu tive de você?” Mateus 18:32, 33
Há uma discussão muito antiga entre os cristãos sobre a função divina e a função humana na salvação do homem. Alguns cristãos colocam todo o peso no lado divino, reduzindo a ação humana a nada. No outro extremo, encontra-se a teologia que torna a vontade humana tão forte que por si mesma pode levar a pessoa convertida a obedecer à lei de Deus.
Debates como esse geralmente trazem à tona os escritos do apóstolo Paulo. Paulo ensinou com muita clareza que a salvação ocorre unicamente pela graça por meio da fé (ver Ef 2:9). O julgamento, entretanto, será de acordo com as obras (ver Rm 14:10-12). Como essas ideias aparentemente contraditórias podem estar em harmonia? Para mim, a resposta não se encontra num argumento teológico, mas sim nas parábolas de Jesus. Dentre elas, a parábola do servo impiedoso (Mt 18:21-35) oferece a explicação mais clara de todas.
Lembra-se dessa parábola? Aqui está um homem que deve ao rei uma grande soma de dinheiro – dez mil talentos. Para compreendermos melhor o tamanho da dívida, dez mil é o maior número registrado no livro e um talento é a maior unidade monetária. Hoje poderíamos falar, quem sabe, em 50 milhões ou um bilhão para termos uma ideia. O homem implora para que o rei lhe conceda um prazo para pagar a dívida. Quanto tempo será que ele espera viver? Ele nunca será capaz de pagar. Mas, para sua surpresa, o rei perdoa tudo o que ele deve. Simples assim. “Você está livre. Cancelei a sua dívida”, diz.
Agora, esse mesmo homem que teve uma dívida enorme perdoada se encontra com um conhecido que lhe deve 100 denários (alguns milhares de reais).
O devedor implora para que o homem lhe conceda um prazo a fim de que possa pagar a dívida. O homem, porém, o manda para a prisão. Finalmente, a notícia chega aos ouvidos do rei, que fica muito zangado. Ele manda chamar o homem que tinha recebido o perdão da enorme dívida e lhe diz que, por causa de suas ações, o perdão fora cancelado.
Essa é uma parábola do reino do céu, uma história sobre a graça. Poderíamos resumi-la em duas palavras: presente e exigência. A salvação é um presente, um presente maravilhoso, mas esse presente vem acompanhado de uma exigência. A graça que nos perdoa nos transforma à semelhança de Deus.
sexta-feira, 30 de março de 2012
5 maneiras simples de afastar seu filho da igreja
1 – Diante das menores dificuldades, tais como
indisposição, chuva, frio, cansaço, não vá aos cultos. Seu filho vai
crescer com a ideia de que frequentar as reuniões não é assim tão
necessário.
2 – Quando estiver à mesa ou em reuniões familiares, faça comentários e críticas ao ensino e atitude do pastor e dos líderes; assim seu filho crescerá não tendo respeito por eles e nem dando crédito aos seus ensinos.
3 – Cuide para que seu filho cresça num lar que não seja diferente de qualquer outro; afinal, que valor há em aplicar os princípios da Palavra de Deus a todos os aspectos da vida familiar?
4 – Gaste diante da TV ou computador todo o tempo que passa em casa, ao invés de separar parte dele para leitura da Bíblia e oração. Basta orar na hora das refeições. Com certeza o seu filho aprenderá que, assim como orar e estudar a Palavra de Deus não tem valor para você, não deve ser importante para ele.
5 – Comente à vontade a vida de outro membro da igreja diante de seu filho. Depois, ao se encontrar com ele no templo, apresse-se a cumprimenta-lo com sorrisos. Se mais tarde seu filho pensar que a vida cristã é pura hipocrisia e não desejar seguir o mesmo caminho, não estranhe.
Você poderia acrescentar mais algum item a esta lista?
Seguir @cristao_com
2 – Quando estiver à mesa ou em reuniões familiares, faça comentários e críticas ao ensino e atitude do pastor e dos líderes; assim seu filho crescerá não tendo respeito por eles e nem dando crédito aos seus ensinos.
3 – Cuide para que seu filho cresça num lar que não seja diferente de qualquer outro; afinal, que valor há em aplicar os princípios da Palavra de Deus a todos os aspectos da vida familiar?
4 – Gaste diante da TV ou computador todo o tempo que passa em casa, ao invés de separar parte dele para leitura da Bíblia e oração. Basta orar na hora das refeições. Com certeza o seu filho aprenderá que, assim como orar e estudar a Palavra de Deus não tem valor para você, não deve ser importante para ele.
5 – Comente à vontade a vida de outro membro da igreja diante de seu filho. Depois, ao se encontrar com ele no templo, apresse-se a cumprimenta-lo com sorrisos. Se mais tarde seu filho pensar que a vida cristã é pura hipocrisia e não desejar seguir o mesmo caminho, não estranhe.
Você poderia acrescentar mais algum item a esta lista?
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Faxina de primavera
Perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos
a todo o que nos deve. E não nos deixes cair em tentação. Lucas 11:4
Existe alguma mulher que não tenha, em algum momento, limpado completamente sua casa? Por que é necessário, afinal, fazer a “faxina da primavera”? Porque, dia após dia, pequeninas porções de sujeira e pó se acumulam. São essas partículas de pó que são deixadas para trás na limpeza diária.
Uma casa nova é, geralmente, uma casa limpa. É lustrosa e brilhante. Tem até cheiro de limpeza. Mas, quando nos mudamos, partículas de sujeira e pó entram conosco. Toda vez que saímos e retornamos, trazemos um pouco mais de pó. Por fim, é necessária uma boa “faxina de primavera”. Não podemos escapar dessa necessidade de limpeza.
A mesma coisa é verdade em nossos relacionamentos. É importante fazer a limpeza da primavera, de tempos em tempos. Ao longo dos anos, todos acumulamos atitudes, palavras, encontros com pais, marido, amigos e parentes – coisas arquivadas nas pastas da nossa mente. É claro que temos muitas lembranças positivas e alegres. É bom conservar e rever esses arquivos de tempos em tempos. Há fontes de alegria e contentamento. Mas também podem estar lá coisas más e dolorosas, que servem apenas para ocupar espaço. Situações nas quais a mente criou um registro negativo e o arquivou na memória.
Então, limpar a casa e o coração está de acordo com as normas. Talvez, porém, você esteja pensando: Não tenho nada para perdoar. Não tenho nada contra ninguém. Mas, toda vez que alguém a magoa com palavras, gestos, olhares ou qualquer outro ato que cause raiva ou dor, esses eventos são arquivados na mente. É hora de uma boa limpeza mental de primavera.
Esse tipo de faxina se faz através do perdão – perdão genuíno, de todo o coração. O perdão queima todos os registros arquivados contra os ofensores. Depois disso, a casa pode ficar impecavelmente limpa e aprazível. Tenho certeza de que você notará a diferença em seu coração e mente, depois de perdoar.
Hoje, se você precisa perdoar alguém, não hesite. Quanto mais perdoar – fizer a faxina da primavera – tanto mais perto chegará do estado dos seres humanos quando criados por Deus: belos, maravilhosos. Tenho certeza de que toda mulher deseja esse resultado.
Susana Faria
Heróis Modernos
Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra corajosa de seu testemunho. Eles não amaram a si mesmos e se dispuseram a morrer por Cristo. Apocalipse 12:11, The Message
Uma das histórias mais impressionantes de 2006 foi a incrível façanha de Mark Inglis, que escalou o Monte Everest com pernas artificiais. Inglis, instrutor de alpinismo, foi apanhado por uma forte nevasca no Monte Cook na Nova Zelândia em 1982. Forçado a abrigar-se numa caverna de gelo por duas semanas, sofreu frio intenso e ambas as pernas tiveram que ser amputadas logo abaixo do joelho.
Mas Inglis não ficou sentado se lamentando por seu infortúnio. Em vez de sentir pena de si mesmo, voltou a estudar e se tornou bioquímico e pesquisador. Além disso, continuou praticando alpinismo e, em 2002, voltou a subir o Monte Cook com pernas artificiais. Mas foi em maio de 2006 que conquistou o impossível: o topo do Monte Everest!
Admiro Mark Inglis. Ele é um herói moderno. Admiro todos aqueles que superam os infortúnios da vida, que se recusam a desistir, cuja determinação e coragem os mantêm prosseguindo até realizarem aquilo que outros chamam de impossível.
A Bíblia é o livro dos heróis. Os homens e mulheres cuja vida ilumina as páginas desse livro sagrado – Moisés e Davi, Ester e Débora, Pedro e Paulo – fizeram coisas maravilhosas. Eram corajosos tanto em pensamento quanto em ação. Em seu dicionário não existia a palavra “impossível”, pois Deus estava com eles, motivando-os, inspirando-os, concedendo-lhes poder. Eles continuaram até alcançar o topo que Deus havia designado.
Em pé no primeiro lugar da fila, acima de todos os outros, encontra-se o Líder. Jesus é o maior herói da Bíblia. “Por nunca ter perdido de vista para onde estava indo – o final feliz com Deus – Ele pôde suportar tudo ao longo do caminho: a cruz, a vergonha, qualquer coisa” (Hb 12:2, The Message).
Deus está em busca de heróis modernos. Em busca de jovens que, inspirados pelo sonho divino, façam coisas maravilhosas para a glória de Seu nome e para o bem da humanidade. Sim, atos heroicos que superam até mesmo a conquista do Everest.
Muitas pessoas sonham em se tornar heróis. Mas os heróis de Deus não amam a si mesmos; amam a Jesus, o Cordeiro cujo sangue os libertou para uma nova vida e um novo propósito.
quinta-feira, 29 de março de 2012
A moeda do Céu
Mostrem-Me a moeda usada para pagar o imposto. Mateus 22:19, NVI
Contando o dinheiro para pagar contas, lembrei-me de algo que havia lido em minhas devoções: “Aos servos de Deus cumpre ser Seus representantes. Ele quer que usem apenas a moeda corrente no Céu, a verdade que Lhe apresenta a imagem e inscrição” (O Desejado de Todas as Nações, p. 353). Olhando para a nota de dez dólares em minha mão, pensei: A quem você representa? Os Estados Unidos da América. De quem é a imagem? Alexander Hamilton. Qual é a inscrição? A que mais aprecio é: Nós, o Povo.
Uma serva serve seu dono. Ela é obediente e aplica suas habilidades para servi-lo. Deus, é isso que estou fazendo por Ti? Os outros me veem como Tua serva, usando minhas habilidades para Ti? Eu Te represento condignamente, assim como a nota de dez dólares representa os Estados Unidos da América?
Representantes são agentes, porta-vozes, embaixadores. Sou eu uma agente que Deus pode enviar para representá-Lo? Cuidarei dos Seus negócios de forma a promover Seu reino? Como porta-voz dEle, os outros me ouvem? Ouvem a doce música do Céu, chamando-os para subir um pouco mais? Tenho sido uma embaixadora do reino dos Céus? Aqueles com quem me encontro veem o esplendor do reino de Deus e desejam participar dele?
Qual é a moeda do Céu? O dicionário define moeda como: dinheiro, cédula, cunhagem. Não posso imaginar essas coisas no Céu. Mas Deus deseja que usemos “apenas a moeda do Céu”. Moeda é dinheiro que uso para pagar contas, comprar artigos necessários e alguns supérfluos. A sociedade usa dinheiro para gerar poder, fama e status social. O dinheiro é importante para nós, é a força controladora por trás de muito do que fazemos.
Pergunto a Deus: O que, no Teu reino, tem esse tipo de poder? A verdade sobre Deus, encontrada em Sua Palavra, e Seu povo têm poder. Essa é a moeda do Céu, não é mesmo? Uma verdade que traz a imagem de Deus será como Deus. Quando alguém examina essa verdade, descobre Deus.
Uma inscrição é escrita ou gravada sobre a superfície, no exterior ou em cima de algo. Quero a Tua verdade escrita e gravada sobre mim e em mim; então, farei parte da moeda do Céu. As pessoas me reconhecerão como Tua serva, porque veem a Tua imagem inscrita sobre mim.
Joan Beck
A Clematite Relutante
Por isso disse ao que cuidava da vinha: “Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra?” Lucas 13:7
Nunca plantei uma figueira, mas já me senti como o homem mencionado na parábola. Tive problemas com uma clematite que frustrou todas as minhas tentativas em fazê-la florescer. Parecia que sempre me desafiava a tentar uma nova estratégia de “ataque”.
Por muitos anos admirei as clematites no quintal do meu vizinho que ressurgiam a cada primavera e floresciam em abundância embelezando o lugar. Queria um pé de clematite em meu quintal também e tinha até escolhido o local para plantá-la: ao lado da caixa do correio próximo ao meio-fio. Imaginei-a enrolando-se no suporte da caixa do correio e decorando-o com flores roxas e avermelhadas.
Mas havia um problema: o solo ao redor da caixa do correio era duro e rochoso. Certa vez tentei fazer um canteiro de flores ali, mas infelizmente as mudas morreram sob o calor do Sol. Assim, a cada primavera sonhava com uma clematite crescendo ali, mas a cada verão acabava decidindo relizar o sonho no ano seguinte.
Foi então que certa primavera me deparei com mudas de clematites numa loja. Através do plástico transparente na parte dianteira da caixa, pude observar os brotos verdes. Aquelas clematites estavam prontas! Comprei duas mudas, levei-as para casa e comecei a imaginar como plantá‑las da melhor forma.
Algumas semanas se passaram antes que eu pudesse preparar o canteiro para as clematites, mas por fim consegui plantá-las. Esperei, esperei. Finalmente, um broto insistente apareceu, depois outro. Parecia que estavam lutando para sobreviver e cresceram apenas poucos centímetros durante o verão.
No ano seguinte tentei outra vez. Mais uma caixa. Plantei novamente, aguei, fertilizei. O resultado foi pior. Em agosto as mudas atrofiadas estavam secando. Logo morreram.
Na primavera seguinte – surpresa! Mal pude acreditar no que via. As clematites ressurgiram saudáveis e fortes do período de hibernação. Cresceram, enrolaram-se em volta do suporte e floresceram em abundância e beleza.
Estou feliz que, assim como o homem mencionado na parábola, concedi outra chance às clematites. É dessa mesma forma que Deus age conosco.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Dia do exame
Tudo posso nAquele que me fortalece. Filipenses 4:13
Não há muitas coisas que me amedrontam na vida, mas um dos meus maiores temores é prestar um exame final. Ironicamente, uma parte significativa do meu trabalho envolve aplicar exames e gosto imensamente dessa parte do meu trabalho! Mas quando o sapato é calçado no outro pé, quando sou eu quem deve escrever, a questão é totalmente diferente. Tremo de medo.
A esta altura, já descobrimos que o preparo adequado é o segredo para minimizar ou eliminar esse tipo de medo. Recentemente, enfrentei um exame final que eu passara anos temendo. Era a conclusão dos meus estudos de doutorado. Não havia como escapar – eu precisava enfrentá-lo. Durante os muitos meses que antecederam o exame de 15 horas, fui apoiada por membros do meu grupo de estudos cristãos, membros da família e amigos, e professores piedosos. Entretanto, apesar de todo esse apoio, eu precisava fazer minha parte e estudar com diligência, orar constantemente e aplicar-me. Fico satisfeita ao relatar que o processo funcionou, porque obtive sucesso. A Deus seja a glória!
Há outro exame que todos devemos prestar, e acontecerá em breve.
É muito mais importante do que a defesa do doutorado, e para eliminar o temor devemos preparar-nos adequadamente. Precisamos do apoio da família e dos amigos, mas devemos fielmente fazer nossa parte no preparo. Descobri que as palavras de um cântico de William Longstaff são perfeitamente instrutivas para ajudar-nos no preparo para esse grande dia do exame, o dia em que veremos face a face a Jesus, nosso Senhor, Salvador e Rei.
“Tempo de ser santo tu deves tomar; ter vida em teu Mestre, Seu livro estudar; ser junto a Seu povo luz sempre a brilhar, e aos necessitados ir para salvar. Tempo de ser puro tu deves achar; sempre a sós orando, com Cristo ficar; teus olhos bem fitos ter no Salvador; por tua conduta dar provas de amor. Tempo de ser útil tu deves guardar; mui calmo nas lutas, em Deus confiar; ter para os aflitos voz e atos de amor; sim, mais semelhante ser ao Salvador.”
Posso enfrentar esse exame sem temor, desde que coloque meu futuro nas mãos dAquele que me auxiliará no preparo. Faça a mesma coisa!
Jacqueline Hope HoShing-Clarke
No Limiar da Vida
Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim,
até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos
ímpios. Salmo 73:16, 17
Uma das características no livro de Salmos que mais me chamam a atenção é a grande sinceridade com que foram escritos. Ali Davi, Asafe e outros se expressaram a Deus por meio de uma vasta gama de experiências humanas: alegria, deleite, desespero, dor, raiva, frustração. Os salmos são orações escritas originalmente para serem cantadas, mas são mais diretas e confrontantes do que qualquer oração que você venha a ouvir na igreja hoje.
No Salmo 73, encontramos Asafe diante de uma questão muito, muito antiga: Por que as pessoas más parecem dar-se tão bem na vida e as pessoas boas às vezes se dão mal? Essa preocupação é tão moderna quanto o dia que acabou de nascer.
“Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei”, confessou Asafe (v. 2). Ele caiu na armadilha da inveja (sempre uma falta autodestrutiva) ao ver a arrogância e a prosperidade dos ímpios. Na visão de Asafe, aqueles que ignoravam a Deus não enfrentavam lutas, eram saudáveis e fortes e levavam a vida sem carregar nenhum fardo. Não tinham limites para o orgulho, a violência, a crueldade, o escárnio e a opressão que marcavam sua vida. Viviam como se Deus não prestasse atenção ou não Se importasse, porque nunca interveio em seus atos de maldade.
Você já se sentiu como Asafe? Já sentiu vontade de perguntar: “Deus, onde estás? Por que não fazes algo para pôr fim à desgraça que os ímpios têm causado ao mundo?”
Asafe concluiu: “Meus esforços de seguir a Deus e viver uma vida de acordo com Sua vontade são inúteis. É melhor desistir, pois são os justos, não os ímpios, que enfrentam dificuldades.”
Ao focarmos os pontos negativos, acabamos caindo em depressão. Foi o que aconteceu com Asafe. Essa era uma questão muito deprimente para ele. Asafe, porém, decidiu caminhar um pouco. Chegou ao santuário – o Templo – e as nuvens se desfizeram. Sua visão estava limitada; o santuário, porém, a ampliou.
“Então compreendi o destino dos ímpios” (Sl 73:17). Os ímpios podem parecer trafegar pela Avenida Fácil, sem nenhuma preocupação no mundo, mas estão na verdade na Rampa Escorregadia. De repente caem para a grande ruína, rumo ao esquecimento. A casa, que parecia tão segura, era feita de cartas. Porém, os justos serão vindicados.
terça-feira, 27 de março de 2012
Positivo, positivo, só positivo
Senhor, quero dar-Te graças de todo o coração e falar de todas as
Tuas maravilhas. Em Ti quero alegrar-me e exultar, e cantar
louvores ao Teu nome, ó Altíssimo. Salmo 9:1, 2, NVI
louvores ao Teu nome, ó Altíssimo. Salmo 9:1, 2, NVI
Quando as coisas dão errado, quantas entre nós pensam em coisas positivas? Vocês gritam de alegria? Cantam e louvam a Deus? Enchem-se de júbilo?
Para dizer a verdade, sei que, no meu caso, tenho dificuldade para fazer o que Deus nos pede que façamos. Contudo, um dos meus textos bíblicos favoritos é: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito” (Romanos 8:28).
Tenho pedido que Deus me ajude a cantar de alegria, a bradar, a louvar Seu nome quando estou abatida. Isso nem sempre é fácil de fazer. Mas Deus tem senso de humor. Talvez seja pelo fato de eu ser professora da primeira série que Ele me deu um joguinho. É assim que funciona. Quando você diz ou pensa algo que é negativo, pare! Bem, quantos pensamentos negativos você teve? Um ou cinco? Para mim, às vezes é até mais. Quando isso acontece, devo pensar em todas as coisas positivas em minha vida: estou viva; tenho saúde; o dia está lindo; Deus me ama e prometeu me salvar. Mas a parte difícil é colocar o jogo em prática. Preciso pensar três vezes mais em bênçãos do que em coisas negativas da minha vida.
Também coleciono hinos que me ajudam a ser agradecida, alegre e positiva. Aqui está um deles: “Conta as bênçãos, conta quantas são, recebidas da divina mão; uma a uma, dize-as de uma vez; hás de ver, surpreso, quanto Deus já fez.”
Quando penso apenas em coisas que me preocupam – e há um bom número delas –, chego a ficar muito pessimista e estressada. Mas quando começo a contar minhas bênçãos e exercer minha vontade para ser feliz em Jesus, Ele me muda de dentro para fora, como já fez. Gosto desse jeito, muito mais do que de fora para dentro.
Então, quando você se sentir sozinha, triste, ou quando alguma coisa não for aquilo que Deus prometeu, por favor, tente fazer meu joguinho. Espero que ele abençoe você e sua família, hoje. Lembre-se, comigo, daquilo que Paulo diz: “Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1 Timóteo 6:6).
Louvado sejas, meu Deus e Criador!
Susen Mattison Molé
Cheio de Graça
Deus é bom para todos; tudo o que Ele faz está cheio de graça. Salmo 145:9, The Message
Há várias maneiras de olhar o mundo. Uma delas é encarar tudo o que acontece como sendo o resultado direto de causas naturais. Tudo o que vemos ao redor, tudo o que foi, é e será possui uma explicação lógica que pode ser encontrada se pesquisarmos a fundo o suficiente.
Mais e mais pessoas, especialmente nas sociedades desenvolvidas, têm adotado essa visão. Para elas, Deus morreu no início da era científica moderna com toda a tecnologia que veio em seguida. Estamos sozinhos no vasto e frio Universo; não temos nenhuma esperança de vida depois que nossa breve existência chegar ao fim.
Há vários anos, alguém muito querido para mim faleceu repentinamente. Lutei com a ideia de viajar meio mundo para comparecer ao seu funeral, mas, devido a várias razões, decidi simplesmente enviar uma mensagem para ser lida às pessoas ali reunidas.
Mais tarde, recebi a gravação em áudio do funeral e senti-me muito mal. Durante a cerimônia inteira, nenhuma oração fora proferida, nenhum hino entoado, nenhum verso bíblico lido e nenhuma menção foi feita ao nome de Deus. Liderados por um “elogiador”, os membros da família apenas partilharam recordações do falecido. No fim, o “elogiador” tocou uma das músicas prediletas do finado: “Os Três Tenores”. Que jeito de viver! Que jeito de morrer!
Outras pessoas enxergam o mundo através dos olhos embaçados pela superstição. Atribuem forças para o bem ou mal, poderes invisíveis que podem nos atacar e pôr fim à nossa vida. De acordo com elas, devemos lidar com tais forças com cuidado e segundo um ritual apropriado. Muitos professos cristãos possivelmente possam ser classificados nessa categoria.
A maneira como eu enxergo o mundo é totalmente diferente das apresentadas acima. Trata-se da maneira bíblica, a maneira que afirma que há um Deus, um Deus que Se comunica conosco e que é amor. Esse Ser, que é todo-poderoso, “é bom para todos”. Tudo o que Ele faz – tudo – está cheio de graça.
Não estou sozinho no vasto e frio Universo. Não estou sujeito aos caprichos das forças malignas. Sou filho do Rei do Céu, conhecido e amado pessoalmente por Ele como se fosse a única pessoa no planeta.
Como sei que isso não é uma ilusão? Porque Ele enviou Jesus, e Ele era “cheio de graça” (Jo 1:14).
segunda-feira, 26 de março de 2012
Se fosse com meus filhos
Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos
Meus menores irmãos, a Mim o fizeram. Mateus 25:40, NVI
Num fim de tarde, voltando da radioterapia para casa, eu estava cansada, deprimida, faminta, solitária e sentindo frio. Então os vi. Três garotos se encontravam ao relento, perto da estação rodoviária. Pude ver que estavam cansados e desesperados. O mais velho veio correndo e me disse: “Madame, a senhora podia completar o dinheiro da nossa passagem com 50 centavos, para podermos voltar para casa?”
“Não!” respondi, enquanto me afastava. Mas, quando me sentei para esperar o ônibus, uma voz me disse: Podia acontecer com seus filhos ou netos. Simplesmente inclinei a cabeça, envergonhada, com um nó na garganta, e sussurrei: “Pai, por favor, perdoa-me.”
Rapidamente voltei para onde estavam os meninos e lhes dei uma libra, embora me restassem apenas duas libras. Eles pularam de alegria, depois saíram correndo e entraram em seu ônibus. Acenaram para mim, felizes.
Por que os rejeitei a princípio? Talvez por pensar em outros rapazes que usam o dinheiro da passagem para comprar balas ou cigarros. Mas o uso do dinheiro, fosse qual fosse, não era da minha conta. Afinal, não nos disse Jesus em Lucas 6:37 que não devemos julgar os outros? Ele disse, ao contrário, que devemos ajudar uns aos outros e aos necessitados.
Como poderia eu contar histórias para as crianças na Escola Sabatina, procurando aconselhá-las a se ajudarem umas às outras e aos estranhos, enquanto ignorava crianças carentes na rua? Suponhamos que eu não tivesse ajudado aqueles meninos. Quem, então, esperaria eu que os ajudasse, em meu lugar? Tenho orado para que Deus sustente meus filhos e os necessitados, todos os dias. Como ignorar algumas crianças que são realmente carentes?
No fim, fico contente por ter ajudado aqueles rapazinhos. Sei que o bom Senhor me perdoou a má atitude para com eles, já que também estão entre Suas joias preciosas. Sei que eles apreciaram minha ajuda naquela tardinha; espero que tenham aprendido uma boa lição com ela e façam o mesmo por alguém, algum dia.
Obrigada, Jesus, por Teu lembrete. Por favor, continua dando um tapinha no meu ombro quando cometo um equívoco, e ensina-me a amar e ajudar sempre os necessitados – especialmente Tuas joias preciosas.
Mabel Kwei
A Mensagem de Crônicas
Davi, junto com os comandantes do exército, separou alguns dos filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum para o ministério de profetizar ao som de harpas, liras e címbalos. Esta é a lista dos escolhidos para essa função. 1 Crônicas 25:1
Quantos cristãos sinceros se dispõem a ler a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, apenas para ver suas aspirações afundarem no banco de areia do livro de Crônicas? As genealogias aparentemente infinitas e as intermináveis listas de nomes, com raras narrações intercaladas, realmente dificultam a leitura. Poderíamos dizer que, assim como a lista telefônica, o elenco é excelente, mas o enredo é fraco.
A Bíblia possui apenas um Autor, mas muitos escritores. Não se trata de um único livro, mas uma biblioteca com 66 livros que diferem amplamente em conteúdo e gênero. Todos os 66 livros, no entanto, possuem um único propósito: revelar a vontade de Deus e Seu plano para nós. Todos eles nos contam como Deus é, o quanto é grande, poderoso, maravilhoso e, acima de tudo, cheio de graça.
Eugene H. Peterson capturou a essência dos dois escritos que formam o primeiro e o segundo livro de Crônicas. Na versão bíblica The Message, em que tentou colocar a Bíblia na linguagem contemporânea, Peterson incluiu uma introdução aos livros de Crônicas (assim como fez com os demais livros da Bíblia) e notas explicativas:
“Nomes iniciam essa história, centenas e centenas de nomes, listas de nomes, páginas e mais páginas de nomes, nomes pessoais. Não há como contar uma história verdadeira sem mencionar nomes, e essa imersão em nomes chama a atenção ao indivíduo, ao único, ao pessoal, que é inerente à espiritualidade. [...] A história sagrada não foi construída por meio de forças impessoais ou ideias abstratas; foi tecida através de nomes – pessoas, todas únicas. Crônicas apresenta uma defesa sólida contra a religião despersonalizada.
“Crônicas testemunha a respeito do lugar essencial e primordial que a verdadeira adoração deve ocupar na vida humana. [...] Da forma como foi narrada essa história de Israel, percebe-se que nada está acima da adoração como forma de nutrir e proteger nossa identidade como povo de Deus – nem a política, a economia, a vida em família ou a arte. E nada do que diz respeito ao preparo, à conduta na adoração, é pequeno demais para ser deixado ao acaso ou à imaginação – nada na arquitetura, corpo de funcionários ou teologia.”
Diante disso, posso apenas responder: amém! O Deus do Universo, Aquele que nos criou e nos redimiu; o Deus da graça imaculada, que nos conhece por nome, sabe tudo a nosso respeito e nos ama mesmo assim.
domingo, 25 de março de 2012
Necessidades supridas
O meu Deus suprirá todas as necessidades de
vocês, de acordo com as Suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.
Filipenses 4:19, NVI
Era uma tarde de março, com brisa balsâmica. Um perfeito prelúdio para a primavera! Diante de um programa incomumente agitado para aquele dia, eu havia coordenado as atividades de modo a usar meu tempo da maneira mais eficiente possível – ou assim pensava eu. Então, ao concluir meu último compromisso antes de voltar para casa, fiz uma surpreendente descoberta. Não conseguia encontrar minhas chaves. A mais diligente busca não as recuperou.
Fiquei em pé junto ao carro e examinei o fundo da minha bolsa. Não, as chaves não estavam ali. Tinha certeza de que não as havia trancado dentro do veículo. Olhei pela janela e não as vi, e assim voltei e entrei no banco, onde havia estado por último. As chaves não estavam lá. E agora, o que fazer?
Fiquei ali, parada, em rígida incredulidade. Como fui fazer uma coisa assim, num dia tão agitado? Mais uma vez olhei dentro da bolsa, esperando encontrá-las aninhadas em algum canto do fundo. Não, simplesmente não estavam ali.
Andando na direção do carro, querendo saber o que fazer a seguir, ouvi uma voz conhecida. Voltei-me e me deparei com um dos anciãos da minha igreja. Ele estava parado na fila, diante de uma máquina de autoatendimento, e “por acaso” ele me viu naquele instante. Expliquei que não conseguia encontrar a chave do carro. Terminada a transação, ele se curvou e espiou dentro do carro. Para meu espanto, descobriu o chaveiro pendurado na ignição. Do ângulo em que olhei a primeira vez, as chaves não eram visíveis. Ele se ofereceu para me levar a fim de buscar a cópia da chave. No caminho de volta, ele mencionou a promessa: “Deus suprirá cada necessidade.” Explicou que não havia tido a intenção de ir ao banco naquele dia. Depois, enquanto aguardava para usar a máquina eletrônica, virou-se justamente em tempo de me ver passar. Eu não o havia visto.
O Senhor sabia que eu havia feito cuidadosamente meus planos para usar o tempo com o máximo critério possível. E viu que, em minha humanidade, eu cometeria um erro. Como me sinto agradecida porque Ele prevê nossas necessidades e planeja, com antecedência, supri-las! Deus vê o pequeno pardal cair e Ele vê a você e a mim.
Ele cuida de nós de maneiras tangíveis; a Sua Palavra é verdadeira hoje, e o será amanhã e sempre. Amiga, Ele suprirá todas as suas necessidades.
Audre B. Taylor
O Crescimento da Graça
Um ramo verde surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo. Isaías 11:1, The Message
Logo após eu discursar num concílio de pastores, um deles me procurou para fazer uma pergunta pessoal:
– Como você consegue permanecer tão animado e otimista mesmo depois de tantos anos no ministério?
É verdade, desfrutei de um longo ministério – 47 anos, no momento em que escrevo estas linhas. “Desfrutar” é o termo exato para ser usado. Minha vida e trabalho foram, e continuam sendo, ricamente abençoados.
Não entendo a razão de ter sido, como muitas pessoas dizem hoje, “tão sortudo”. Não creio na sorte; creio na graça. Tudo o que entrou em meu caminho ou saiu de minhas mãos é fruto da graça.
Já se passaram muitos anos (não sei dizer exatamente quantos) desde que comecei a me conscientizar do milagre da graça. Foi logo depois de ter aceitado Jesus como Salvador e Senhor, depois de ter aceitado Seu chamado para o ministério. Sim, aceitei o amor perdoador de Deus e senti Sua presença transformadora em minha vida. A graça entrou em ação e foi simplesmente maravilhoso.
Mas de alguma forma – não de repente, nem através de algum livro, ou sermão, ou situação que possa apontar – comecei a viver na graça. Comecei a sentir Jesus em minha vida, enaltecido continuamente em meu coração, e sempre com louvor em meus lábios. Comecei a aceitar a verdade aparentemente inacreditável de que Ele me ama incondicionalmente, assim como sou, à medida que continua a convidar-me para subir cada vez mais na escala espiritual.
Talvez tudo isso tenha começado quando passei a tentar a tratar os outros com graça – ou seja, como Deus me trata. Foi aí que a sua força total me alcançou pessoalmente. Foi então que comecei a perceber quão egoísta, preconceituoso e, sim, até mesmo racista eu era.
De alguma forma isso aconteceu e fui favorecido. Sou favorecido. Jesus me concedeu vida nova, acolhendo-me em Sua família como Seu filho. Isso é tudo o que importa hoje e eternamente.
Graça significa crescimento. Graça significa esperança, esperança de que uma flor irá desabrochar no deserto, de que de uma raiz seca, aparentemente sem vida, brotará um ramo verde. Não apenas um ramo, mas o Ramo, Jesus, Aquele que traz luz das trevas e vida da morte.
sábado, 24 de março de 2012
Prateleiras vazias
E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo,
para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. Mateus 24:14
Entrei no estacionamento da biblioteca na região em que moro, pensando em como partilhar minha fé com outras pessoas. Sentia-me ansiosa por fazer algo a fim de que alguém aprendesse sobre Jesus ou aprendesse a conhecê-Lo melhor. Eu tinha deixado alguns livros Caminho a Cristo no carro, fazia um bom tempo, e pensei: “Esses livros estão simplesmente guardados dentro do carro. Preciso distribuí-los.” Então, levando-os comigo, encaminhei-me à biblioteca. Estava decidida a partilhar o amor de Cristo com alguém.
Aproximei-me da bibliotecária e perguntei se ela aceitaria alguns livros gratuitos para a biblioteca. Ela, então, apontou para uma mesa onde eu podia deixá-los. Orei para que os livros colocados ali fossem lidos e tocassem a vida das pessoas que os lessem. O Senhor sempre arranja maneiras diferentes de partilharmos as boas-novas da salvação com os outros.
Minha visita à biblioteca não se encerrara. Eu precisava de livros para ler com meus alunos e também de alguns DVDs para mim. Depois de escolher alguns livros e DVDs, fui à seção para adultos, rotulada como Religião e Música. Vi a placa Religião, mas as prateleiras estavam vazias. Continuei olhando, e percebi que todos os DVDs e vídeos tinham sumido. Fiquei desapontada, mas então me senti feliz quando entendi o significado das prateleiras vazias. Significava que as pessoas estavam interessadas em religião. As pessoas estão ansiosas para conhecer mais acerca de Deus. Isso também me fez lembrar que Jesus está voltando. Era a primeira vez que eu ia a uma biblioteca e encontrava prateleiras vazias na seção de Religião. Voltei alguns dias depois, e não encontrei nenhum dos livros que eu havia deixado.
E quando retornei às prateleiras vazias, encontrei dois vídeos.
As prateleiras vazias permanecem em minha lembrança desde então, e têm tocado minha vida. Cada vez que penso nelas, lembro-me de que Jesus está voltando. A Bíblia diz que, nos últimos dias, as pessoas terão fome de aprender a respeito de Cristo. E, como escreveu o compositor do hino, “Breve Jesus voltará! Breve virá! Breve virá! Breve Jesus voltará!” Fico muito feliz, muito alegre, porque as prateleiras vazias continuam a anunciar que Jesus virá sem demora.
Duas perguntas importantes: Está você preparada para a volta de Jesus? Você está partilhando as boas-novas de Sua vinda com outros?
Patrícia Hines
Quando a Pele Perde a Firmeza
Tu és tudo o que almejo no Céu! Tu és tudo o que almejo na Terra! Minha pele pode perder a firmeza e os meus ossos ficar frágeis, mas Deus é rocha firme e fiel. Salmo 73:25, 26, The Message
Durante o voo de Denver para Anchorage, Alasca, sentei ao lado de um executivo aposentado. Estava a caminho para uma reunião campal em que seria o orador; Ed estava indo pescar. De Anchorage ele iria pegar outro avião e depois ainda outro menor. Planejava passar vários dias no extremo norte na companhia de mais cinco homens num barco, com cozinheiro particular.
Conversamos bastante. Ed havia comprado uma empresa que fornecia equipamento médico, elevou-a a nível nacional e mais tarde internacional. Finalmente, viu-se passando a maior parte de sua vida em aeronaves, viajando de uma cidade a outra e de um país a outro.
Já tinha viajado mais de 3.218.000 quilômetros pela companhia aérea United Airlines. Durante o voo a aeromoça não parava de agradecer-lhe e trazer-lhe bebidas alcoólicas gratuitas. Ele continuou falando até que finalmente caiu no sono induzido pela ingestão elevada de álcool.
Ed vivia para pescar. Já havia pescado nos Estados Unidos e no Canadá. Pescou também na Europa. Pescou no Brasil. Foi duas vezes para a Austrália para pescar. Tinha várias histórias de pescaria para contar e estava ansioso para ouvir sobre qualquer lugar exótico que eu talvez pudesse recomendar.
– Quando eu ficar velho demais para pescar – disse –, acho que vou ficar em casa lembrando-me de todas as pescarias das quais já participei.
Enquanto ele dormia, fiquei acordado refletindo em suas palavras. Ele parecia um camarada muito decente. Além disso, não tenho nada contra pescar (cheguei a pescar também há muito, muito tempo). Mas fazer da pesca o ponto central da vida? Será que isso é tudo? Não fomos criados para algo, para Alguém, muito maior?
Claro que sim! Deus nos criou para Ele. Como disse Agostinho muito tempo atrás: “Formaste-nos para Ti, e nosso coração não terá sossego enquanto não encontrar descanso em Ti.”
Deus é tudo o que almejo no Céu! Deus é tudo o que almejo na Terra! Ele é o primeiro, o último e o melhor. Sua graça purifica e direciona a energia incansável da juventude, sustenta e guia na meia-idade, e, quando a pele perder a firmeza e os ossos ficarem frágeis, ainda estará conosco. Rocha firme e fiel. Com Deus a vida é cada vez melhor.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Movendo árvores
Se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de
mostarda, poderão dizer a este monte: “Vá daqui para lá”, e ele irá.
Nada lhes será impossível. Mateus 17:20, NVI
Já li o texto de hoje muitas vezes, e sempre me perguntei se Deus realmente queria dizer que podemos mover uma montanha ou se era apenas uma forma retórica de referir-Se a como Ele pode solucionar os problemas. Mas agora sei que Deus pode mover uma montanha ou uma árvore.
Oficialmente, era o último dia do inverno. O dia, em Michigan, estava terrível, com chuva gelada. Minha filha, Katie, e eu tínhamos percorrido a maior parte dos 65 quilômetros até a casa de minha mãe, quando bati num pedaço de gelo e o carro começou a girar. Completei uma volta de 360 graus na estrada e depois comecei a deslizar para o lado – avançando na direção de uma árvore. Era inevitável. O carro iria bater de lado na árvore. Diante dessa situação de ameaça à vida, fiz uma oração silenciosa, pedindo proteção. Tudo aconteceu muito rapidamente. Quando o carro parou, Katie e eu olhamos pela janela. “Onde está a árvore?” perguntou Katie. Eu também tinha visto a árvore. Sabia que iríamos bater nela, mas agora nem mesmo a víamos. Não consegui tirar o carro da valeta, mas pude sair e olhar em volta. Vi a árvore a uns 6 metros do carro. Será que os anjos empurraram o carro para a frente, a fim de que não batêssemos na árvore?
Tínhamos muito para agradecer durante o transcorrer do dia. Um homem, com um caminhão e uma corrente, nos puxou para fora da valeta. Embora o carro tivesse sofrido considerável estrago, ainda consegui dirigi-lo. Fizemos todas as coisas que tínhamos planejado fazer. Nosso coração se encheu de gratidão e louvor.
A caminho de casa, Katie e eu tivemos que passar pelo local do acidente. A evidência do acidente era plenamente visível. Durante semanas, deu para ver o rastro dos pneus no barro e na vegetação. Quando paramos para olhar melhor, fiquei chocada demais para falar. Em silêncio, virei-me para Katie. Sua boca estava aberta, incrédula, e o rosto, pálido. Quando conseguiu falar novamente, ela disse: “Mamãe, a árvore está ali de novo – bem ao lado da marca dos pneus.” Estava mesmo. Os anjos não haviam empurrado o carro para longe da árvore. Eles mudaram a árvore de lugar e depois a trouxeram de volta.
O Deus da Bíblia, que prometeu mover montanhas, ainda as move!
Susan Drieberg
Além da Imaginação
Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o Seu poder que atua em nós. Efésios 3:20
O Deus da graça é infinito em sabedoria. Ele conhece o fim desde o princípio. Enxerga o problema muito antes de nos darmos conta, e sabe a melhor forma de solucioná-lo. Deus não apenas sabe; Ele pode fazer. Seu poder é infinito. A Bíblia ressalta a cada página: “Ele é capaz”. Ele possui diversas maneiras de lidar com uma situação que nós nem mesmo podemos enxergar.
A vida inevitavelmente nos coloca em circunstâncias que geram estresse. Não conseguimos enxergar saída alguma para o problema financeiro, a situação difícil no trabalho, as provações com a família que está a ponto de se desfazer, os problemas de saúde. Mas, se acreditarmos, apenas confiarmos nEle, Deus poderá fazer muito mais do que somos capazes de pedir.
Oramos, mas talvez não saibamos sobre o que realmente devemos orar. Deus pode nos dar uma resposta muito melhor do que pedimos com a nossa visão limitada. Sentamos e sonhamos como as coisas seriam se acontecessem do jeito que julgamos ser o melhor, mas o futuro de Deus para nós é muito melhor do que qualquer coisa que possamos imaginar.
Por muitos anos, tive o grande privilégio de estar à frente do ministério da Adventist Review, o periódico mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Confesso que foi um grande desafio, muito além de minhas forças ou habilidades naturais. Esse desafio me fez cair de joelhos de uma maneira que jamais senti necessidade nas outras atividades que desempenhei. Pouco a pouco, aprendi a lição de esperar em Deus em cada situação. Ele tinha a resposta. Tudo o que eu tinha a fazer era me aproximar mais e mais de Deus para que Ele pudesse revelá-la a mim.
A maior preocupação que tive durante os 24 anos que servi nesse ministério era a circulação cada vez menor do periódico. Coloquei em meu coração atingir a meta de 100 mil exemplares. Com o auxílio de colegas de trabalho competentes e talentosos, tentei diversos métodos para atingir meu objetivo. Mas nada funcionou. Notávamos certo crescimento por um tempo, depois o declínio novamente. Com muita dificuldade admiti a realidade. Foi então que, pouco antes do fim de minha carreira como editor, a liderança da igreja nos pediu para desenvolver um periódico mundial da igreja. A circulação aumentou para mais de um milhão de exemplares por mês, dez vezes maior do que minha meta míope e limitada! Realmente além da imaginação!
quinta-feira, 22 de março de 2012
Plenamente humano
O tentador aproximou-se dEle e disse: “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.” Jesus respondeu:
“Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’.” Mateus 4:3, 4, NVI
“Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’.” Mateus 4:3, 4, NVI
“Bem, você não pode comer flores”, respondeu a mulher à Dra. Ellah Kamwendo, que visitava a Universidade Solusi e admirava a bela paisagem. A Dra. Kamwendo havia lecionado na Universidade Solusi antes de sair para tornar-se diretora de educação de cerca de doze países no sul da África. A economia já se deteriorava em Zimbábue, e era cada vez mais difícil comprar produtos alimentícios necessários e até gasolina. Mas, agora, as prateleiras das lojas tinham apenas alguns itens avulsos: vários frascos de vinagre, um punhado de condimentos, chocalho para bebê e alguns esfregões.
O campus lutava para obter alimento suficiente para os alunos, administração e corpo docente. A fazenda cultivava alguns vegetais, amendoins e laranjas, e veículos tinham sido mandados a Botswana para comprar farinha de milho, feijão e farinha para a festa de um pão ocasional. Mas não havia farinha suficiente para que a padaria funcionasse, e por muitos dias os alunos ficaram com fome, tendo apenas uma refeição por dia – embora, às vezes, fossem duas. É difícil concentrar-se nos estudos ou trabalhar quando a barriga está roncando, pedindo comida. E depois de dias e anos de fome crônica, sem sinal de esperança quanto ao futuro, a vida começa a perder o sentido.
Quando nos vemos em situações como essa é que necessitamos ser lembrados do que significa ser humano. Quando alguém enfrenta uma cirurgia ou a perda de um ente querido, as flores nos fazem lembrar de que ser verdadeiramente humano é conhecer a beleza e o amor dos outros. Ser humano é mais do que comida, ou ser encurralado pela adversidade, ou mesmo apanhado pela morte.
Quando fomos criados como seres humanos por Deus, o desígnio era que vivêssemos para sempre, tendo a capacidade de criar beleza e uma nova vida. Ser humano era viver em relacionamento, como homem, mulher e família. Ser humano era estar em relacionamento com Deus.
Assim, quando sofreu com a fome e a sede de 40 dias e noites, Jesus pôde responder ao tentador: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.”
Lisa M. Beardsley
Um Grupo Diferente
Depois, aqueles cuja vida honrava a Deus conversaram uns com os outros. Deus viu o que estavam fazendo e ouviu com atenção. Um livro foi aberto na presença de Deus e escrita a ata daquela reunião com todos os nomes dos que honravam o nome do Senhor. Malaquias 3:16, The Message
A Carnival Cruise Line, companhia de cruzeiros marítimos, nunca tinha visto um grupo de passageiros como aquele. Eles haviam vindo do Canadá, da Índia e até da Nova Zelândia aos Estados Unidos; 121 no total. Variavam em idade, indo desde o início da adolescência até a casa dos 80. Toda noite a seção que ocupavam no restaurante estava repleta de risos e conversas animadas, sem fazer uso do álcool. Na noite de talentos do navio, três deles divertiram o salão lotado com apresentações de alto nível. Enquanto os outros passageiros ficavam bêbados ou jogavam jogos de azar no cassino, esse grupo se reunia para olhar fotos antigas, partilhar histórias, cantar e orar.
No cartaz afixado na recepção do compartimento em que estavam acomodados lia-se: “Reunião VHS”. Muitos passageiros ficaram curiosos para saber que grupo era aquele e quem eram aquelas pessoas que pareciam estar se divertindo tanto. Ao saberem que VHS era a abreviação de Vincent Hill School, um pequeno colégio interno adventista na Índia que fechara as portas em 1969, ficaram ainda mais confusos. Não fazia sentido que os ex-alunos, os antigos professores e os amigos quisessem se reunir depois de tanto tempo separados.
Esse colégio tinha uma atmosfera celestial. Construído na cadeia das montanhas do Himalaia, a 2.100 metros de altitude, durante boa parte de sua existência o trajeto até lá podia apenas ser feito a pé, montando um jumento ou num kandi, cesto grande carregado por um trabalhador hindu. O local era selvagem, impressionante e maravilhoso. Leopardos perambulavam pelas montanhas e às vezes apareciam no campus. Tudo ali ou era para cima ou para baixo, e as encostas eram bem íngremes.
Mas não parava por aí. O lema do colégio, “Educar Para a Eternidade”, proclamava seus valores. Ali jovens vinham da Índia e de muitos outros lugares para estudar e aprender a arte de viver, no presente e para sempre. Eles saíram do colégio e mudaram a Igreja Adventista e o mundo para melhor.
Deus foi honrado no Vincent Hill School. Deus foi honrado na ocasião em que os ex-alunos, o corpo docente e os amigos se reencontraram para matar a saudade e relembrar os bons e maus momentos.
Quem sabe naquela viagem um livro foi aberto na presença de Deus e um secretário celestial fez a ata da reunião, registrando o nome de Seus fiéis.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Somos surdas?
Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que
ouvem a palavra de Deus e a guardam! Lucas 11:28
Numa tarde de domingo, cheguei mais uma vez a uma das minhas cidades favoritas: Nova York! Logo que deixei as malas no apartamento da minha amiga, saí de novo. O simples caminhar pelas ruas de Nova York me deixa feliz e cheia de energia. Passei momentos lindos andando por uma feira de rua e entrando nas lojas. Aproveitei um pouco mais no dia seguinte.
Na segunda-feira à tarde eu estava exausta, mas muito feliz! Quando voltei ao apartamento da amiga, decidi organizar minha bolsa. Para minha surpresa, não consegui encontrar o passaporte. A passagem aérea estava ali, mas o passaporte não! Pânico. Procurei mais um pouco. Nada. Telefonei para todas as lojas por onde havia passado. Nada. Liguei para o Consulado Brasileiro e entendi que iria levar algum tempo até emitirem um novo passaporte, e que eu teria que cancelar minha viagem a Toronto, onde planejava rever outra amiga. Seria nosso encontro anual!
Fiquei arrasada e confusa. De repente, entendi como alguém se sente sem identidade. Tive sorte, bem sabia, porque estava com o meu dinheiro, ainda tinha os cartões de crédito e um lugar onde ficar. Agradeci a Deus todas essas bênçãos e vi como Ele me protegeu. Contudo, ainda sou humana e me preocupei. Fiquei triste. Insegura. O resultado? Mal consegui dormir naquela noite. Acordei muito cedo para provar ao Consulado quem eu era.
Tomei o ônibus. Passamos pela Rua 18 e por três lojas nas quais eu gastara parte da segunda-feira. Eu havia telefonado para elas na noite anterior, e cada uma me informara que não havia encontrado o passaporte. Mas o ônibus prosseguiu, e ouvi uma voz muito clara dizendo: “Desembarque!” Reconhecendo a voz do Senhor, eu disse: Não. Já tentei. É inútil. A voz continuou: “Desça.” Continuei teimosa enquanto passávamos pelas Ruas 25, 26, 30. Finalmente desembarquei na Rua 34, decidindo – com relutância – obedecer à Sua voz.
Não havia nenhum passaporte na primeira e na segunda lojas. Entrando na terceira, quase desistindo de ter esperança, lá estava ele. Meu passaporte!
Pulei de alegria. Abracei as vendedoras. Abracei o guarda da loja. E saí falando com Deus, agradecendo-Lhe profusamente a persistência com uma pessoa tão surda como eu. Prometi ouvi-Lo, ser mais obediente, pois Ele sabe o que é melhor para nós – sempre!
Joelcira F. Cavedon
Amando Alguém Invisível
Vocês nunca O viram, mesmo assim O amam. Vocês ainda não O veem, no entanto confiam nEle – com alegria e cânticos. 1 Pedro 1:8, The Message
Você já ouviu os críticos do cristianismo dizerem algo como: “Vocês falam sobre amar a Deus, mas isso é tolice. Já é difícil amar alguém que podemos enxergar; como esperam que amemos alguém invisível?”
Soa um argumento convincente, mas, na realidade, não é. A melhor resposta que já ouvi veio de Jennifer, que costumava sentar, semana após outra, na classe de Escola Sabatina que eu liderava ocasionalmente. Jennifer é deficiente visual de nascença.
Certa manhã, coloquei em discussão o velho tema de amar alguém que não podemos ver.
– Como assim? Isso não é problema de forma alguma – respondeu Jennifer. – Eu nunca o vi, pastor Johnsson, mas o conheço. Ouço sua voz; você fala comigo e eu falo com você. Toda vez que ouço sua voz, sei que é você, mesmo que não esteja falando comigo. Não precisamos enxergar a pessoa para conhecê-la ou amá-la. O mesmo ocorre com Deus.
Que resposta! Não podemos ver Deus, mas podemos falar com Ele. Chamamos isso de oração. Deus, por Sua vez, fala conosco de diversas maneiras, especialmente através de Sua Palavra. Por isso é tão importante dedicar tempo para estudar a Bíblia (e não lê-la com pressa ou por obrigação).
Conhecemos uma pessoa ao dedicarmos tempo para conversar com ela. Uma conversa real é uma avenida de mão dupla: falar e ouvir. Quanto mais partilharmos com ela e ela conosco, mais familiarizados nos tornamos.
O mesmo acontece na vida cristã. Deus é real, não o fruto da imaginação. Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos e está vivo para todo o sempre. Podemos conhecê-Lo tão bem quanto a um amigo. Na verdade, Ele pode tornar-Se nosso melhor amigo, se permitirmos.
A Bíblia usa a palavra “conhecer” milhares de vezes tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Embora essa palavra às vezes denote conhecimento intelectual ou compreensão correta dos fatos, na grande maioria das ocorrências, seu uso expressa conhecimento pessoal e prático, o conhecimento do relacionamento. Às vezes, “conhecer” significa também intimidade, como em Adão “conheceu” Eva.
Esse conhecimento pessoal e íntimo – o conhecimento do amor – é o que Deus nos oferece hoje. Podemos conhecê-Lo, mesmo sem enxergá-Lo.
terça-feira, 20 de março de 2012
E-mail do céu para o casal
Queridos:
Muito tempo antes que vocês nascessem Eu os escolhi para serem meus (Gálatas 1:15 e 16). Aliás, muito antes de vocês conhecerem um ao outro Eu os conheci. Antes que o mundo existisse, Eu, Deus, sabia que vocês amariam um ao outro e uniriam suas vidas. Eu os escolhi para serem meus (Efésios 1:4) e para fazer do seu casamento uma mensagem viva representando perante o mundo o Meu amor pela humanidade (Efésios 5:25).
Enquanto vocês pertencem um ao outro e a uma família na Terra, vocês também percentem à família celestial. Vejam, Eu os adotei mandando Jesus Cristo morrer por vocês (Efésios 1:5). Seu irmão é Jesus Cristo (Hebreus 2:11), Eu sou seu Pai Celestial, e vocês são Meus filhos (Romanos 8:15 e 16).
Eu desejo que vocês sejam salvos (I Timóteo 2:4-6). O casamento é parte do Meu plano para ajuda-los a viverem primeiramente pelos outros (Gênesis 2:18-24). Meu Filho Jesus realizou o primeiro casamento no Éden antes do pecado entrar no mundo, e 4 mil anos mais tarde realizou Seu primeiro milagre para trazer alegria a uma festa de casamento (João 2:11).
Eu os escolhi. Vocês escolheram um ao outro. À medida que vocês continuamente Me escolherem dia a dia, seu amor um pelo outro vai crescer e Minha alegria será completa em vocês. Este é o Meu mandamento, que vocês se amem um ao outro, assim como Eu os amei (João 15:11 e 12).
Uma vez que vocês são Meus filhos, terão parte nos Meus tesouros, pois tudo que dei ao Meu Filho, Jesus Cristo, é de vocês também (Romanos 8:17). Tudo que tenho pertence a vocês (Gálatas 4:6 e 7).
Eu, seu Pai, os escolhi há muito tempo, e sabia que vocês se tornariam Meus filhos para habitar comigo para sempre (I Pedro 1:1-5).
Com amor eterno, seu Pai e Deus.
Muito tempo antes que vocês nascessem Eu os escolhi para serem meus (Gálatas 1:15 e 16). Aliás, muito antes de vocês conhecerem um ao outro Eu os conheci. Antes que o mundo existisse, Eu, Deus, sabia que vocês amariam um ao outro e uniriam suas vidas. Eu os escolhi para serem meus (Efésios 1:4) e para fazer do seu casamento uma mensagem viva representando perante o mundo o Meu amor pela humanidade (Efésios 5:25).
Enquanto vocês pertencem um ao outro e a uma família na Terra, vocês também percentem à família celestial. Vejam, Eu os adotei mandando Jesus Cristo morrer por vocês (Efésios 1:5). Seu irmão é Jesus Cristo (Hebreus 2:11), Eu sou seu Pai Celestial, e vocês são Meus filhos (Romanos 8:15 e 16).
Eu desejo que vocês sejam salvos (I Timóteo 2:4-6). O casamento é parte do Meu plano para ajuda-los a viverem primeiramente pelos outros (Gênesis 2:18-24). Meu Filho Jesus realizou o primeiro casamento no Éden antes do pecado entrar no mundo, e 4 mil anos mais tarde realizou Seu primeiro milagre para trazer alegria a uma festa de casamento (João 2:11).
Eu os escolhi. Vocês escolheram um ao outro. À medida que vocês continuamente Me escolherem dia a dia, seu amor um pelo outro vai crescer e Minha alegria será completa em vocês. Este é o Meu mandamento, que vocês se amem um ao outro, assim como Eu os amei (João 15:11 e 12).
Uma vez que vocês são Meus filhos, terão parte nos Meus tesouros, pois tudo que dei ao Meu Filho, Jesus Cristo, é de vocês também (Romanos 8:17). Tudo que tenho pertence a vocês (Gálatas 4:6 e 7).
Eu, seu Pai, os escolhi há muito tempo, e sabia que vocês se tornariam Meus filhos para habitar comigo para sempre (I Pedro 1:1-5).
Com amor eterno, seu Pai e Deus.
Aos pés de Cristo
Os escribas e fariseus trouxeram à Sua
presença uma mulher
surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de
todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante
adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam
apedrejadas; Tu, pois, que dizes? João 8:3-5
apedrejadas; Tu, pois, que dizes? João 8:3-5
Embora muitos teólogos não concordem comigo, pessoalmente creio que Maria Madalena foi a mulher apanhada em adultério. Quando os fariseus a levaram a Jesus, não sabiam que o melhor lugar para onde levá-la era justamente aos pés de Jesus. Eles a apresentaram como uma prostituta merecedora de apedrejamento. Em vez de concordar com eles, Jesus plantou a semente do Seu amor na alma dela: “Nem Eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.”
Jesus sabia que os fariseus queriam apanhá-Lo numa armadilha, apresentando a lei de Moisés e desafiando-O a concordar com ela. Mas Jesus enxergou além da armadilha deles. Importou-Se com os fariseus também, e tentou plantar a semente do Seu amor no coração de cada um, mostrando-lhes como amar. Mas eles se recusaram a aprender.
A Bíblia diz que sete vezes Maria voltou, caindo aos pés dEle em confissão. Sete vezes Jesus foi fiel em perdoar e em purificá-la, até que, por fim, Maria soube que o único lugar seguro era aos pés de Jesus. Ela entendeu isso e, quando Marta, irmã dela, reclamou dizendo que Jesus podia mandar Maria se levantar para ajudá-la, Jesus defendeu a escolha dela de ficar a Seus pés.
No banquete de Simão, Maria ungiu os pés de Jesus com perfume, banhou-os com lágrimas de gratidão e os enxugou com seus cabelos. Maria esteve aos pés da cruz de Jesus. Viu Seu sangue pingando em favor dela. Ela viu o amor, regozijando-se na vitória que se enraizara e produzira frutos em sua vida. Por ocasião da ressurreição, quando Maria reconheceu Jesus, ela novamente caiu a Seus pés, adorando-O.
Hoje canto as palavras do grande e antigo hino: “Assentado aos pés de Cristo, oh, que suave comunhão! As palavras que Lhe escuto trazem paz ao coração. Ao rever o meu passado, quando estou junto a Jesus, mais e mais eu avalio o Seu amor por mim na cruz.”
Você me acompanha?
Lana Fletcher
Eu e Tu
Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora, uma companheira.” Gênesis 2:18, The Message
Jesus, cheio de graça, sempre teve tempo – sempre dedicou tempo – para todos que encontrava. Nunca estava com pressa demais, ocupado demais ou com o horário apertado demais para parar e conversar.
Que diferença da nossa vida hoje! Vivemos na era da comunicação, mas temos dificuldade em nos comunicar da forma mais básica, pessoalmente. A tecnologia – telefone, e-mail, internet – nos possibilita enviar e receber mensagens do mundo inteiro, mas, quanto mais ferramentas inventamos, mais parecem nos frustrar ou esgotar completamente a fonte da comunicação afetuosa e pessoal que Deus colocou em nosso ser ao declarar: “Não é bom que o homem esteja só.”
Discamos o número (acionando o botão da discagem rápida, claro) e ouvimos uma voz dizer: “Tecle um se você deseja ___ , tecle 2 para ___ , tecle 3 para ___ ,” e assim por diante. Sentimos vontade de gritar: “Não quero uma gravação; quero uma pessoa!” E, para piorar, a voz diz: “A sua ligação é muito importante para nós.” Ah, é? Mas não tão importante assim para justificar um atendimento pessoal!
Recebemos um e-mail (com um monte de outros que não queremos) perguntando-nos a respeito de algo. Se não largarmos o que estamos fazendo no momento para responder ao remetente que nos enviou a mensagem, em poucas horas recebemos um lembrete curto e grosso: “Hoje, às 8h57, enviei-lhe a seguinte mensagem... Não recebi sua resposta até agora.”
Por sua vez, a internet, que abre uma fonte inesgotável de informação e um monte de outras coisas que saíram direto do covil de cobras de Satanás, é capaz de nos prender horas a fio em solidão em frente à tela do computador, rejeitando a companhia pessoal que nosso cônjuge e filhos tanto almejam.
Há meio século, o filósofo Martin Buber escreveu um pequeno e influente livro que, traduzido do alemão, recebeu o título: Eu e Tu. Nessa obra, Buber analisou os relacionamentos, fazendo uma distinção entre os indivíduos de caráter “Eu-Isso” e aqueles de natureza “Eu-Tu”. No primeiro caso, as pessoas se relacionam com as outras como se fossem um objeto; no último, como seres humanos. E é exatamente o último caso que almejamos, especialmente numa época em que os relacionamentos se tornam cada vez mais impessoais.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Desposada em fidelidade
Eis que Eu a atrairei, e a levarei para o
deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei [...] o vale de Acor por
porta de esperança. [...]
Desposar-te-ei comigo em justiça. Oseias 2:14, 15, 19
Desposar-te-ei comigo em justiça. Oseias 2:14, 15, 19
Eu me encontrava num deserto de agonia. Por 30 anos, meu esposo, John, sofrera uma paralisia devastadora devido à esclerose múltipla. Depois, ela atacou sua mente, causando uma forma de mania. John se tornou verbalmente agressivo, embora não tivesse ideia do que fazia. Cada segundo era uma agonia para mim. John havia sido um marido maravilhoso. Mas esse monstro não era John.
Nas horas de um dia horrível, o Senhor me disse: “Marque esta data. Daqui a um ano, você estará exultante.” De imediato, sublinhei a data, 19 de março, no meu calendário perpétuo. Meu coração saltitou de esperança.
Dentro de poucos dias, a esclerose cedeu e John voltou a ser gentil como antes. Depois, ficou febril. Sua respiração era difícil. John havia contraído pneumonia. Após alguns dias no hospital, faleceu.
A perda de John sacudiu meu mundo. Enquanto me esforçava por ver sentido na vida, Jesus Se apresentou como uma inundação. Tornou-Se meu marido. Ele me animou a descansar e confiar nEle, enquanto miraculosamente supria cada necessidade minha. Trinta anos cuidando de uma pessoa me haviam deixado exausta e crivada de dores. Mas, sob o cuidado de Jesus, sarei; minha força e esperança retornaram.
No ano seguinte, ao virar a página do calendário perpétuo para 19 de março, foi uma surpresa ver a data sublinhada. Então me lembrei dos horrores do março anterior e me lembrei do Espírito dizendo: “Marque esta data.” Regozijei-me porque, tanto John como eu, estávamos livres da nossa agonia no deserto. No ano seguinte, quando cheguei a 19 de março no calendário, o Senhor já me havia levado a uma vida inteiramente nova, com novos interesses e possibilidades. Uma vez mais, exultei.
Só Deus sabe o que cada 19 de março trará, mas sei que será algo bom porque Ele prometeu júbilo. Com o passar do tempo, pergunto-me por que não tenho cicatrizes dos traumas daqueles dias difíceis no deserto. Em lugar disso, tenho maior fé – fé nascida nas provações. E encontrei uma “porta de esperança” amplamente aberta para mim – os próprios braços de Cristo. Às vezes, Ele nos permite algum tempo no deserto do sofrimento para nos estabelecer em fidelidade.
Laura L. Bradford
O Cristo Rejeitado
Veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam. João 1:11
A história de Jesus de Nazaré é inacreditável em muitos aspectos, mas um deles se destaca mais do que os outros: o Criador do Universo veio ao mundo que Ele fez, mas nós, Suas criaturas, O rejeitamos.
Como isso pôde acontecer? Como as criaturas do pó da terra puderam desprezar as mãos que as moldaram? Como homens e mulheres, sujeitos a uma vida cuja expectativa é de 70 a 80 anos, foram capazes de dar as costas para Aquele que é eterno?
Que benevolência! Que paciência! Que humildade! Apenas o fato de vir a este mundo em forma humana, submetendo-Se às leis da hereditariedade, já seria uma grande humilhação. Além de tudo, Ele veio ciente da rejeição, do sofrimento e da morte que O aguardavam. Essa história deixa qualquer mente confusa.
Muito antes de João escrever as duras palavras “veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam”, Isaías já havia predito a rejeição que Cristo sofreria: “Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um Homem de dores e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não O tínhamos em estima” (Is 53:3).
Ele foi rejeitado no passado e ainda é rejeitado hoje. Por quê? Porque Ele é a Luz que brilha no coração de cada pessoa. A Luz que revela como somos. Sob essa Luz enxergamos quem realmente somos. Não é uma imagem bonita de se ver. Essa é a razão de, na época de Jesus e ainda hoje, a maioria das pessoas responder: “Apaguem a Luz!”
“Este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a Luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3:19).
Mas a rejeição não foi total, louvado seja Deus, e hoje também não é. No texto original grego as duas palavras traduzidas como “Seu” e “Seus” em João 1:11 são diferentes. Ele veio para o Seu mundo, e o Seu povo não O recebeu. Ele ordenou que as ondas cessassem, e elas obedeceram; Ele partiu os pães e os peixes, e eles se multiplicaram em Suas mãos. A natureza cobriu a Sua face com as trevas no momento em que Ele ficou pendurado na cruz em agonia.
E houve algumas pessoas (não a maioria, mas algumas) que não O rejeitaram, não disseram: “Apaguem a Luz”, mas que abriram o coração para recebê-Lo.
Naquela época, alguns. Hoje, alguns. Quero estar entre eles, hoje e todos os dias.
domingo, 18 de março de 2012
Escadas de ouro
Venham a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados,
e Eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o Meu jugo e aprendam
de Mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve. Mateus 11:28-30, NVI
de Mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve. Mateus 11:28-30, NVI
Minha avó amava crianças. Acho que é por isso que gosto tanto delas. As crianças são uma fonte de diversão, bem como de inspiração para mim. Um dia, eu estava subindo a escada para a hora do culto, após ter dirigido a classe dos pré-adolescentes. Eu ia atrás de um garotinho lerdo, que se arrastava para cima da escada-montanha. Ela deve mesmo ter parecido uma montanha para ele, pois seus passos eram árduos e pesados.
Ele ia sobrecarregado com o objeto favorito do seu mundinho – sua manta. Estava enrolada ao seu redor, desde o pescoço até o chão, balançando entre as perninhas, por pouco não o fazendo cair no precipício a cada passo. Estava manchada e desgastada, como testemunho de uma longa e confortadora amizade.
A avó dentro de mim se ofereceu para carregá-la até que ele chegasse ao topo. Ah, não! Ele me informou, com um decidido abraço em sua manta, que a ideia do oferecimento era equivalente a uma espécie de invasão. Não existia a possibilidade de ele sequer negociar privar-se do seu aconchego, mesmo que a ajuda para subir a escada lhe garantisse um percurso mais fácil e seguro. Ele pensava no imediato, e não estava a fim de permitir que ninguém pegasse sua manta.
Como me assemelho a essa criancinha, Senhor? A que me apego, enquanto sigo me arrastando pela vida? Qual é a coisa que representa conforto para mim – ou mesmo segurança – e que anseias carregar para me ajudar a subir as colinas e montanhas da vida? Seriam as finanças, nestes tempos incertos? Talvez a saúde. Quem sabe, até familiares e amigos. Espero que não seja o orgulho em alguma de suas formas, inclusive nos ministérios e deveres da igreja. Apego-me demais à comida? Senhor, ajuda-me a querer mais de Ti e menos daquilo que considero vital.
Todas as noites, na hora de ir para a cama, meu amado avô dizia: “É hora de subir aquela escada de ouro.” Meu Pai celeste quer ajudar-me a subir aqueles “degraus dourados” até o Céu. Mais ainda, Ele quer que eu faça a viagem com maior facilidade e segurança. Se eu tão somente permitir que Ele carregue o fardo para mim!
Ann Northwood
Pernas
Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem. Salmo 147:10, AA
Meu pai gostava muito de passear no litoral. Ele não possuía um automóvel; por isso, pegávamos o bonde (tram, como chamamos na Austrália) rumo à cidade de Adelaide. Em seguida, pegávamos outro bonde que levaria meia hora para nos deixar na praia.
Uma vez lá, vestíamos a roupa de banho e mergulhávamos na água. Às vezes caminhávamos ao longo da praia com as ondas batendo nos pés descalços. Muitas vezes apenas ficávamos sentados na areia, observando o oceano. Nesses momentos, penso que meu pai se recordava dos dias em que navegou pelo mundo. Às vezes, ele contava sobre os navios, os capitães e os lugares que visitou.
Quando nasci, meu pai já estava com quase 50 anos. Por isso, minhas lembranças mais vívidas dele são de uma pessoa idosa. Lembro-me de observar suas pernas, demarcadas por veias grossas, uma rede de pequenos capilares azuis e algumas manchas escuras. Meu pai trabalhou arduamente, trabalhou com as mãos carregando cargas de tijolos e cimento. Suas pernas revelavam o preço pago pelo esforço.
Para uma criança, no entanto, aquelas pernas eram interessantes, não repulsivas. Eram as pernas do meu pai, o homem que tinha me carregado nos ombros numa idade avançada, que tinha trabalhado árdua e honestamente sob o Sol intenso, em meio à poeira e ao suor, para colocar o pão na mesa de nossa família.
Meu pai descansou há muito tempo, mas ainda vou ao litoral. Caminhar ou correr na areia gelada, deixando as ondas se quebrarem em meus pés descalços logo ao raiar do dia e observando as aves marítimas voando ao redor, talvez seja o mais próximo que eu consiga chegar da alegria da eternidade nesta vida.
Sento-me na areia e olho para o oceano. Observo as minhas pernas, agora demarcadas por veias grossas e uma rede de pequenos capilares azuis. Vejo algumas manchas escuras próximas ao tornozelo. Eu também trabalhei duro, mas não com o trabalho braçal. Essas pernas carregaram meu filho e minha filha (e agora os netos) em meus braços e ombros. Essas pernas me carregaram por longas viagens a muitos países. Elas me sustentaram nas trilhas montanhosas e maratonas que percorri.
O salmista disse que o Senhor não Se compraz nas pernas do homem. Ele Se compraz naqueles que O temem e nos que “esperam na Sua misericórdia” (Sl 147:11, ARA).
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