quarta-feira, 21 de março de 2012

Somos surdas?


Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam! Lucas 11:28

Numa tarde de domingo, cheguei mais uma vez a uma das minhas cidades favoritas: Nova York! Logo que deixei as malas no apartamento da minha amiga, saí de novo. O simples caminhar pelas ruas de Nova York me deixa feliz e cheia de energia. Passei momentos lindos andando por uma feira de rua e entrando nas lojas. Aproveitei um pouco mais no dia seguinte.

Na segunda-feira à tarde eu estava exausta, mas muito feliz! Quando voltei ao apartamento da amiga, decidi organizar minha bolsa. Para minha surpresa, não consegui encontrar o passaporte. A passagem aérea estava ali, mas o passaporte não! Pânico. Procurei mais um pouco. Nada. Telefonei para todas as lojas por onde havia passado. Nada. Liguei para o Consulado Brasileiro e entendi que iria levar algum tempo até emitirem um novo passaporte, e que eu teria que cancelar minha viagem a Toronto, onde planejava rever outra amiga. Seria nosso encontro anual!

Fiquei arrasada e confusa. De repente, entendi como alguém se sente sem identidade. Tive sorte, bem sabia, porque estava com o meu dinheiro, ainda tinha os cartões de crédito e um lugar onde ficar. Agradeci a Deus todas essas bênçãos e vi como Ele me protegeu. Contudo, ainda sou humana e me preocupei. Fiquei triste. Insegura. O resultado? Mal consegui dormir naquela noite. Acordei muito cedo para provar ao Consulado quem eu era.

Tomei o ônibus. Passamos pela Rua 18 e por três lojas nas quais eu gastara parte da segunda-feira. Eu havia telefonado para elas na noite anterior, e cada uma me informara que não havia encontrado o passaporte. Mas o ônibus prosseguiu, e ouvi uma voz muito clara dizendo: “Desembarque!” Reconhecendo a voz do Senhor, eu disse: Não. Já tentei. É inútil. A voz continuou: “Desça.” Continuei teimosa enquanto passávamos pelas Ruas 25, 26, 30. Finalmente desembarquei na Rua 34, decidindo – com relutância – obedecer à Sua voz.

Não havia nenhum passaporte na primeira e na segunda lojas. Entrando na terceira, quase desistindo de ter esperança, lá estava ele. Meu passaporte!

Pulei de alegria. Abracei as vendedoras. Abracei o guarda da loja. E saí falando com Deus, agradecendo-Lhe profusamente a persistência com uma pessoa tão surda como eu. Prometi ouvi-Lo, ser mais obediente, pois Ele sabe o que é melhor para nós – sempre!

Joelcira F. Cavedon

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