terça-feira, 8 de maio de 2012

O intérprete


Estarei com eles nas horas de aflição. Eu os livrarei e farei com que sejam respeitados. Salmo 91:15, NTLH

Minha filha e eu tivemos o privilégio de participar de uma viagem missionária às Filipinas, onde passamos algum tempo numa vila montanhosa, remota e primitiva. As pessoas falavam tagalog, um idioma local. Nós nos comunicávamos principalmente através de intérpretes.

Para chegar ao nosso destino, viajamos até onde o jipe pôde nos levar, e de lá foram duas horas de caminhada pela montanha até a vila. A caminhada era por trilhas estreitas e íngremes. Atravessamos várias pontes de bambu e passamos por rios, desviando-nos ocasionalmente para o mato a fim de permitir que os aldeões locais passassem montados em cavalos ou caribus, às vezes chamados de búfalos da água. Foi uma experiência maravilhosa.

Após alguns dias morando em nossa cabana de bambu e adaptando-nos a uma vida primitiva de montanha, chegou o momento de minha filha e eu retornarmos à cidade principal, ao pé das montanhas. Um casal local foi solicitado a nos acompanhar até a “estrada”, onde seríamos recebidas pelo pastor e seu amigo, que nos levariam à cidade de moto. Os dois falavam só tagalog, e minha filha e eu, inglês, sabendo apenas algumas palavras no idioma deles. Quando chegamos ao fim da trilha, não vimos ninguém conhecido para nos receber. Dois indivíduos de aparência rústica, andando de moto, gesticularam para que os acompanhássemos. Minha filha e eu nos olhamos e, pela primeira vez durante a viagem, nos sentimos apreensivas.

Era grande o desafio de tentar comunicar-nos, quando minha filha disse: “Precisamos orar agora mesmo!” Seguramos as mãos uma da outra e inclinamos a cabeça, enquanto eu entregava ao Pai celestial nosso dilema e preocupação. Quando abrimos os olhos, um rapaz estava em pé, à nossa frente, muito corado e ofegante. Seu inglês era bastante limitado, mas conseguiu nos dizer que o pastor se atrasara. O capitão da vila nos convidou gentilmente para entrar e nos serviu alimento enquanto aguardávamos.

Essa experiência me fez lembrar da natureza onipresente do nosso amorável Pai, que conhece nossas necessidades e nunca falha em preparar uma via de escape, se simplesmente clamarmos a Ele.

Beverly D. Hazzard

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